No afã de me encontrar
andei pelos quatro cantos do mundo.
Corri praias, montanhas, vales,
sempre em busca de um sinal.
Nesta busca tresloucada
Alguns amigos eu fiz,
mas seria impossível
inimigos não fazer.
Vi muita gente invejosa,
muita gente esperançosa,
pessoas batalhadoras,
pessoas aproveitadoras.
Quanta gente ciumenta
neste mundo de Deus!
Ciúmes de sentimentos,
ciúmes de outras pessoas,
ciúmes da liberdade,
ciúmes do que não têm.
Observei muitos exemplos,
tanto os bons quanto os ruins.
Aprendendo a sobreviver
apesar da solidão.
Descobri o que é a dor
De perder entes queridos.
Lamentei o que não fiz,
chorei o que perdi,
comemorei o realizado e
me orgulhei do meu passado.
Mas o tempo, inexorável,
Sussurrava ao meu ouvido:
"Perdes tempo com essa busca!
Viva a vida enquanto existo! "
E a vida fui vivendo
da forma que mais me convinha.
Entre trabalho, diversão e amores
Construi o meu castelo.
Entre os muros do castelo,
presa a fatos consumados,
presa a fugas irreais,
presa a sonhos não sonháveis,
continuei minha busca.
Minha busca infindável...
E o tempo, sempre o tempo,
Continuava a sussurrar:
"Olha em volta, bem pertinho.
Olha pra dentro de ti.
Olha o que conseguiste!
Tua busca terminou."
Que triste a sina minha!
Passei a vida em busca
do meu Eu verdadeiro,
do meu Eu interior
para no final da vida
descobrir que, com essa busca inútil,
o Tempo levou minha vida.
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