A Pimentada
Enise / ~brisa~ / 10/2001

Foi numa tarde que num tava nem frio e nem quente,
eu com aquela coceira no dente,
querendo dar um rumo pra vida,
numa grande virada porreta, 
que me deixasse menos careta,
e com a consciência menos sentida.
 
De repente a coceira foi se espalhando,
e pelo meu pé terminando, 
até tirando o pó do umbigo,
sacolejando sempre comigo,
aquela vontade danada,
que por mais a...pimentada,
me deixava cada vez aturdida.
 
Minha mala fui procurar, 
e coisa por coisa passei colocar,
enchendo de esperança aquela minha bagagem,
que parecia ser muito bobagem,
mas a minha vontade danada, 
que por mais a...pimentada,
era decisão decidida.
 
Volta e meia procurando o que colocar,
se punha uma coisa na mala, duas punha a tirar.
Queria ir pra num sei onde,
nem sei se ia de trem ou de bonde,
ué! mas bonde já num era passado?
mas eu com meu jeito arretado,
e de onde tivesse tirado,
queria levar aquela pimenta bandida.
 
Mala pronta com muito custo,
e se não fosse no susto,
eu ia prá num sei onde, 
fosse pé ou fosse de bonde,
levando minha pimenta bendita,
que me deixasse menos aflita,
pra aliviar minha tensão recolhida.
 
Numa grande resolução suarenta, 
me lancei, eu com minha adorável pimenta,
mas já com a minha coceira assentada,
com a minha mudança acertada,
e na tentação de não errar, acertei!
Pois de mala e cuia pra dentro do seu coração me mudei...
 
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A Pimentada